Casos Clínicos de NutriçãoPaciente com obesidade grado 2 com fadiga para fazer atividade física pós COVID
juan pablo garcia henao ferreira perguntou há 10 meses

Paciente do sexo masculino com obesidade ll, relata que não faz atividade física por que pós COVID ficou com secuela de fadiga relata que sempre foi ativo no esporte e que agora não consegue sustentar uma corrida, além de isso começou a ganhar peso passou de 85 kg para 123 kg e não consegue mais disminuir sua rutina de alimentação é muito difícil já que prepara poucos alimentos e como muito por fora ele quer perder peso e voltar ao peso de antes qual seria melhor estratégia pra tratar com ele ?

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Especialista em Nutrição Dietbox Staff respondeu há 9 meses

Olá, Juan. 
 
Antes de alinhar uma estratégia nutricional, é importante compreender que a fadiga persistente é uma das manifestações mais comuns após a COVID-19, sendo relatada por cerca de um terço dos indivíduos mesmo 12 semanas após a infecção confirmada. Esse sintoma faz parte do quadro denominado Síndrome Pós-COVID ou COVID Longa, já reconhecido pela OMS. 
A COVID-19 também impacta a saúde mitocondrial. As mitocôndrias podem sofrer danos pela infecção, comprometendo a cadeia de transporte de elétrons, responsável pela produção de energia nos músculos. Isso contribui para fadiga, fraqueza e redução da tolerância ao exercício, quadro que pode ser agravado por sono inadequado ou nutrição deficiente. 
Essa fadiga relacionada à intolerância ao esforço físico é comum em pacientes pós-COVID, caracterizando principalmente a fadiga do músculo periférico. Por isso, é interessante o encaminhamento médico para avaliação da saúde cardiorrespiratória. A Sociedade Brasileira de Cardiologia recomenda o teste de esforço cardiopulmonar (TECP), ferramenta diagnóstica que permite avaliar a etiologia dos sintomas e mecanismos que possam estar limitando o exercício em doenças cardiovasculares e pulmonares. Nesse sentido, o acompanhamento multiprofissional é fundamental. 
Além disso, é importante estimular que o paciente se mantenha ativo e seja acompanhado por uma profissional de educação física.  
Em relação à alimentação, ainda não há um consenso específico para o tratamento da fadiga, mas sabe-se que uma dieta equilibrada é a base. Para isso, podem ser utilizadas as recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira (2014) como referência na conduta nutricional.  
Micronutrientes e vitaminas também podem auxiliar no manejo da fadiga, como a Coenzima-Q10, vitamina C, vitamina D e vitamina B12. O guia prático sobre fraqueza muscular pós-COVID (2024) sugere investigar deficiência de vitamina D e B12, hemograma, função tireoidiana, proteína C reativa, folato e creatinina, exames que podem complementar a avaliação da fadiga. 
Sobre alguns outros pontos relatados, sugerimos: 

  • Em relação ao preparo de alimentos: orientar sobre boas escolhas alimentares, como salada já higienizadas e prontas para o consumo, frutas comercializadas já cortadas, lanches práticos e marmitas congeladas saudáveis. 
  • Sobre refeições fora de casa: ensinar a composição de um prato saudável, priorizando locais com opções ricas em frutas, verduras e legumes. 

Portanto, a primeira estratégia é iniciar uma reeducação alimentar e promover mudanças de hábitos. Isso, por si só, já tende a trazer uma boa resposta clínica. A partir da melhora e da adesão do paciente, estratégias nutricionais mais específicas e avançadas podem ser implementadas. 
 
Referências: 

  1. CEBAN, Felicia; LING, Susan; LUI, Leanna M. W.; et al. Fatigue and Cognitive Impairment in Post-COVID-19 Syndrome: A Systematic Review and Meta-Analysis. Brain, Behavior, and Immunity, v. 101, p. 93–135, 2021.
  2. PAYNE, Rebecca; PRING, Tabitha; HEY, Molly; et al. Muscle weakness post-COVID: a practical guide for primary care. British Journal of General Practice, v. 74, n. 749, p. 573–575, 2024.
  1. MILANI, Mauricio; MILANI, Juliana Goulart Prata Oliveira; CIPRIANO, Graziella França Bernardelli; et al. Teste Cardiopulmonar em Pacientes Pós-COVID-19: De Onde vem a Intolerância ao Exercício? Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 120, n. 2, p. e20220150, 2023.
  1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Guia alimentar para a população brasileira / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – 2. ed., 1. reimpr. – Brasília : Ministério da Saúde, 2014.
  1. BARNISH, Michael; SHEIKH, Mahsa ; SCHOLEY, Andrew. Nutrient Therapy for the Improvement of Fatigue Symptoms. Nutrients, v. 15, n. 9, p. 2154–2154, 2023.
Giovana Fanhani Tessaro respondeu há 10 meses

Oriente a realizar prato saudável quando comer fora (50% legumes e verduras, 25% proteína e 25% carboidratos);
Adicione nos lanches intermediários frutas que são facilmente consumidas e que não são tão sensíveis: Maçã, banana, caqui, pera, mexerica.
No horário de maior fome, adicione uma boa fonte de proteína (whey protein, barrinha de proteína ou bebida láctea proteica), isso ajudará a amenizar a fome e fazer melhores escolhas alimentares. 
Se ele tem condição financeira de comer fora, tem condição de adquirir um suplemento proteico e afins. Se ele consegue pagar para comer fora, consegue pedir marmitas prontas e de acordo com o plano alimentar para consumir no jantar e diminuir comidas pedidas por aplicativo.
Se chegar em casa morrendo de fome oriente a consumir/beliscar uma fruta enquanto prepara um lanche mais denso.
Caminhada 30 minutos 3x por semana é um bom começo para voltar a praticar exercícios.